sábado, 31 de janeiro de 2015

FORA DO AR


Meu compadre Valdo Enxuto, ou Valdo dos Correios, Valdemir Almeida, seria o entrevistado de hoje no programa “Alô comunidade” na Rádio Tabajara AM. Infelizmente, a rádio estava fora do ar. Ficou para o próximo sábado.

Na foto, Valdo, eu e Sander Lee no estúdio da Tabajara, esperando o programa que não rolou. Dizem que foi a Associação da Geração 60 de Itabaiana que sabotou os transmissores da rádio, na iminência da entrevista de Valdo que ameaçava contar tudo...


sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Desportista itabaianense é o convidado de hoje no programa "Alô comunidade"


“Valdemir Almeida, o Valdo como era conhecido, foi e é um ídolo para qualquer Itabaianense que conviveu com ele nos anos 60. Eu mesmo fui roupeiro do Tic Tac, famoso time de futebol de salão, e tenho a maior admiração por ele que é acima de tudo um grande homem, merece toda homenagem, é um exemplo de homem e amigo. Parabéns ao comunicador Fábio Mozart, por quem minha admiração também não tem limites.” – Roger Fagundes Oliveira.

Valdo, o Enxuto, será meu convidado de hoje no programa “Alô comunidade”, pela Rádio Tabajara da Paraíba AM (1.110 KHZ). Começa às 14h. Escute pela internet em tempo real pelo site da Rádio Tabajara:


“Alô comunidade” é uma produção da Rádio Comunitária Zumbi dos Palmares, Sociedade Cultural Posse Nova República, Coletivo de Jornalistas Novos Rumos e Ponto de Cultura Cantiga de Ninar, em parceria com Rádio Tabajara da Paraíba AM (1.110 KHZ).

Produção e apresentação de Dalmo Oliveira, Fábio Mozart, Sander Lee e Beto Palhano.




Vamos viajar?

Tou com vontade de viajar. Se pudesse, iria pra São Paulo onde o sapo não lava o pé. Não lava porque não tem água. Adoraria passear num lugar seco, pra ter a desculpa de andar com a bunda suja.


Vou então sonhar com as estradas do sertão da Paraíba. Por enquanto, não tenho grana pra cair na estrada. Nada de frustração, apenas mais um incentivo pra planejar meu diário de bordo de um futuro navegante. Já rodei o Nordeste e Norte do Brasil de carona, conheci lugares charmosos que não constam nos guias de turismo. É isso que eu queria encontrar nessa nova largada, depois de 40 anos. Não confundo viagem com luxo, não preciso de muita grana pra viajar, mas, agora, aos sessenta anos, o velhinho precisa de um mínimo de planejamento.

Por enquanto, estou lendo, pesquisando alguns roteiros, pra entender se é pra lá que eu realmente quero ir. Tenho na cabeça um mapa que me indica a velha cidade de Princesa Isabel. Não sei, acho que fui capanga de Zé Pereira em outra existência, porque aquela cidadezinha sempre me atraiu. Preciso de uma companhia que tenha o mesmo anseio, os mesmos gostos. Porque cada um tem um olhar, eu vejo um cenário que meu parceiro ou minha parceira talvez não consiga ver, por exemplo. Unificar interesses é complicado. Por isso, quando andei de mochileiro, jogava sozinho no time. As viagens têm seu ritmo e cada viajante tem uma personalidade. Unir essas coisas, acho delicado.

Sei que na minha faixa etária, quase ninguém topa encarar banho em banheiro público, dormir em quarto coletivo, em camas duras. Os maduros gostam de segurança e conforto, mesmo empolgados com a vida lá fora. Por enquanto, estou viajando na internet sem sair de casa. Quem sabe, pelo carnaval eu não decole por essas quebradas do mundaréu atrás de não sei bem o quê. Antes, preciso encontrar parceria e ajustar as ferramentas de voo. Salientando que não sou mais extremista, não pego mais carona na beira da estrada, apenas sigo meu instinto como uma ave de arribação. Gostaria de viajar com uma pessoa de mais de cinquenta anos que não faça a linha medrosa/ansiosa/. Que seja animada, e com bom papo. Não ajuda romper estrada com alguém desconfiado e desanimado. Para usar o velho bordão, tem que entrar no clima meio aventureiro de toda viagem desse tipo. Porque, por mais planejada que seja uma viagem longa e meio sem destino certo, o legal é ter como única certeza, a incerteza. Bora?

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Como desopilar o fígado na Academia dos poetas pilhéricos


Dalmo e Sander Lee planejando as ações no Ponto de Cultura Cantiga de Ninar, quartel-general da Academia de Cordel do Vale do Paraíba


Planejando dar mais visibilidade à sua Academia de Cordel do Vale do Paraíba, o Presidente da entidade, poeta Sander Lee, contratou a peso de ouro a assessoria de comunicação do jornalista Dalmo Oliveira, um homem que também viaja nessa nau poética, apaixonado pela cultura de sua gente.

O peso de ouro de que trata o parágrafo anterior se refere à alegria de participar de um clube composto por homens e mulheres identificados pela poesia popular, seleção de elementos diversificados, divertidos e envolventes com suas inteligências e sua cultura que carregam de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba, sem falar na overdose de material intercambiado, da melhor qualidade em sua maioria.

Em meio ao mar de banalidade em que se transformou a cultura popular neste país, a literatura de cordel representa um reavivamento a contrastar com a mediocridade reinante. Meu compadre Sander Lee é um sujeito focado, disciplinado, que trabalha com seriedade em qualquer projeto, sempre em altos padrões. Por isso, creio que a Academia de Cordel do Vale do Paraíba terá vida longa. Outra coisa: compadre Sander Lee é um cabra honesto, o que significa muitos pontos no seu prontuário, nesse país de mensaleiros. “Ele é tão limpinho que lava o sabão antes de usá-lo”, disse debochadamente meu compadre Valdo Enxuto, um amigo comum.

Essa Academia é um clube de poetas e humoristas. Bom para o fígado. Meu compadre Vavá da Luz, o tuchau de Ingá, andou lendo o livro “Chuva de poesia”, do confrade Antonio Costta, de Itabaiana. Logo inventou um texto de convite para o lançamento da obra de Costta: “Lançamento do livro “Chuva de poesia”, quarta-feira. Em caso de mau tempo, se chover muito, o lançamento será transferido para quinta-feira”. 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Abra a boca, cidadão!

Não sei se acontece só comigo, mas marcar horário com dentista é algo assim como saber exatamente o momento de ir ao matadouro para ser abatido. Necessidade de fazer um tratamento dentário. Abrir a boca para um desconhecido que nem sei para qual time torce ou se é a favor da volta da ditadura, escancarar seu ser para um terapeuta de incisos e caninos que mete os ferros em suas feridas cariadas e pergunta se está doendo, que tipo de dor, se por acaso essa dor não seria uma invenção da sua mente doentia e depois, quanto tudo consumado, lança o golpe mortal na sua conta bancária, cobrando os tubos pela tortura.

Vou assim mesmo, porque sou um herói e o mundo vai se acabar um dia mesmo, tanto faz que seja hoje, na horinha da dor suprema ao som do zumbido da broca. Antes, terei que fazer um test-drive odontológico: comer rapadura e bochechar com água bem gelada para saber exatamente onde estão os furos das cáries. Evitar que o dentista visite todos os 32 dentes com seu ferrinho afiado e cruel, batendo na porta de cada um incisivo, canino e molar, indagando se é ali que mora o sofrimento.

Antes de sentar na cadeira do dragão, é bom fazer as contas do tratamento, para fins de controle orçamentário mesmo e para amenizar as picadas, que uma dor encobre a outra. Reparar nas revistas à disposição dos clientes na antessala é também conveniente: se só tiver a revista Caras no cestinho, é sinal de que seu médico o tem na conta de idiota ou novo rico, desses que se enternecem com a vida dos ricos, todos com saúde perfeita, mulheres sem barriguinha e com sorrisos Colgate.

Esses tratamentos, às vezes, incluem uma severa assepsia bucal e exame acurado em busca de cáries, gengivite, periodontite e outros problemas na boca. Geralmente, o médico indica um novo tipo de escova. A novidade é a escova interdental, que não precisa nem fazer movimentos, ela cuida de tudo. Ótima para preguiçosos. Não indicado para retardados como meu compadre Ameba, que usa pó de juá como dentifrício, receita do seu avô, coisa esquisita de quem não segue a modernidade e fica repetindo hábitos que os pais ensinaram. Nós, seres modernos, consideramos esse tipo de coisa tão esquisita quanto acha a comadre matuta vendo mulheres sofrendo em sessões de depilação para arrancar todos os pelos do corpo, fazendo chapinha para alisar o cabelo, passando rímel nos cílios, pintando as unhas, usando sapatos o tempo todo, comendo comida enlatada, andando de elevador, fazendo terapia, tomando refrigerante, usando absorvente feminino feito de plástico, enfim, vivendo essa merda de vida moderna e achando inaceitável, excêntrico e inconcebível o uso de raspa de juá para clarear e cuidar dos dentes. Só porque não é anunciado na TV e vendido nas grandes lojas.

Grande abraço pros meus seis leitores e abra a boca, cidadão!


terça-feira, 27 de janeiro de 2015

A bandeira de Val está com Lau

Lau Siqueira entrega violão para Rosival Silva, monitor do Ponto de Cultura Cantiga de Ninar

“Fazer algo por alguém que não conheço é uma coisa que me deixa sempre muito feliz. Daqui a pouco mais saio para Itabaiana para a inauguração da Academia de Cordel de Vale do Paraíba. Levo na bagagem um violão que comprei para o Ponto de Cultura Cantiga de Ninar. Lá, meninos e meninas recebem aulas gratuitas de música. Pode não resolver muita coisa, mas ajuda. Eu sei que ajuda. E como ajuda! É um pouco a filosofia do passarinho que leva água no bico para apagar o incêndio. Acho que precisamos de mais solidariedade e mais desapego. Sempre busco em casa o que não está em uso para passar adiante. O que não precisamos, não nos pertence mais e pode ser imprescindível para outra pessoa. Não deixe sobrar na sua casa uma coisa que pode ser útil em outra casa.” – Lau Siqueira.
Eu consegui a proeza de juntar uma centena de pessoas para ouvir um recital de poetas de gabinete, como são chamados os caras que escrevem poesia chamada de cordel. Isso foi na instalação da Academia de Cordel do Vale do Paraíba. Desconfio que a maioria daquelas pessoas foi mesmo para ver e tirar fotos com o Secretário de Cultura do Estado, Lau Siqueira, porque, queira ou não queira, uma autoridade de alto calão, como diria Sonsinho, ainda é atração nas províncias.

Encontraram um cara humilde, sem empáfia, que sabe como é difícil e, ao mesmo tempo, divertido esse negócio de produzir e difundir cultura. É do ramo esse gaúcho da fronteira. Ele garantiu agenda e pauta para as demandas do interior, para ouvir esse povo dos cafundós que teima em botar seu bloco na rua e seu canto nos ares, essa raça que desabafa escrevendo folhetos engraçados, dançando despidos de índios, ou cantando ciranda. Lau Siqueira, queira ou não queira (essa rima não tem jeito de não se meter na frase), obstinadamente vai tentar fazer do giro um giral, que a situação financeira está pecuária, como diria o velho Sonsinho. A gente nem precisa tanto de grana. Basta um olhar mais interessado e respeitoso para os projetos, os grupos e os compadres e comadres que renovam o fazer artístico nessas quebradas.

Na noite dos poetas, Lau Siqueira entregou um violão ao compadre Val, mestre da música no Ponto de Cultura Cantiga de Ninar. Olhando bem, Val ainda não é mestre, mas gostaria de se capacitar para melhor multiplicar os saberes dos sons com a rapaziada. O maior desafio para um sujeito que chamamos de animador cultural é resistir à falta dos mínimos recursos para produzir seu trabalho. Val conseguiu com louvor. Há quatro anos, aprendeu e ensina arte do mosaico e violão no Ponto de Cultura. Quer uma chance para desenvolver seus dons e guiar com mais luminescência os seus pupilos. Ele conta com Lau Siqueira. Aí vem de novo o trocadilho infame: queira ou não queira, mestre Lau ouviu sua choradeira e talvez levante essa simples bandeira.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

VIDEASTA ITABAIANENSE LANÇA DOCUMENTÁRIO SOBRE COMUNIDADE EM JOÃO PESSOA


O videasta Sósthenes Costa Júnior, de origem itabaianense, exibirá seu filme “A margem do Porto”, sobre a comunidade do Porto do Capim, em João Pessoa. O filme faz parte da programação da 1ª Mostra Cultural do Projeto “Subindo a ladeira”, onde serão expostas fotografias das crianças da comunidade. A festa terminará com show da banda Baluarte.
A Mostra acontece nesta segunda-feira (26), às 18h, no Ateliê Elionai Gomes, que fica na Ladeira da Borborema, 100, no Centro Histórico de João Pessoa.
Sósthenes Costa Júnior, que é meu sobrinho, agradece aos que ajudaram na produção do filme:  Bernardo Souza, Rodrigo Melo, Erick de Almeida, Regina Behar e Lilia.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Poetas fundam academia de cordel em Itabaiana


Poetas cordelistas da Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco fundaram a Academia de Cordel do Vale do Paraíba, sendo realizada a posse dos acadêmicos e da primeira diretoria neste sábado, 24 de janeiro, na Casa de Recepções Maison Finesse, em Itabaiana, com as presenças do Secretário de Cultura da Paraíba, Lau Siqueira, Presidente da Academia de Letras da Paraíba, Damião Ramos Cavalcanti, Secretário de Cultura de Itabaiana, Luciano Marinho, Presidente da Academia Feminina Paraibana de Literatura e Arte, Bernardina Freire, pesquisadores da cultura popular, a exemplo da professora Ana Almeida, de Sapé, e da poeta cordelista Sonia Gervásio, de Caruaru, entre outros admiradores dessa arte popular.

A entidade elegeu por aclamação com primeiro presidente o cordelista Sander Lee, secretariado por Fábio Mozart e tendo na tesouraria o poeta Antonio Costta. A assessoria de imprensa ficou a cargo do jornalista Dalmo Oliveira e Valdemir Almeida assumiu como Relações Públicas.

O Secretário de Cultura do Estado, poeta Lau Siqueira, aproveitou a ocasião para doar um violão para a escola de música do Ponto de Cultura Cantiga de Ninar, tendo recebido antes certificado de honra ao mérito cultura.

A nova casa da poesia popular será composta com 28 cadeiras. “Para mim foi uma grande honra ser empossadona Academia de Cordel do Vale do Paraíba, ocupando a cadeira nº 08, que tem como patrono o cordelista Francisco Firmino de Paula, o que só aumenta a minha responsabilidade em defender a cultura paraibana”, disse Antonio Costta.
Antes da solenidade de posse, os poetas repentistas Biu Salvino e Heleno Alexandre realizaram cantoria, com demonstrações dos diversos estilos e gêneros dessa arte, modalidades como a quadra, a sextilha, o mourão voltado e décimas. Para encerrar a noite dos poetas cordelistas, foi servido coquetel, e o grupo de música regional “Ganzá de Ouro” executou alguns números. 

Fábio Mozart com o poeta repentista Heleno Alexandre
Josafá de Orós, Fábio Mozart, Thiago Alves e Sander Lee, na festa da poesia popular
Biu Salvino e Heleno Alexandre fazem demonstração de desafio na viola

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

DE MONERAS E OUTRAS PROSOPOPÉIAS DE OUTRAS ERAS



Eu com meu compadre Valdo Enxuto levando um papo com o poeta Augusto dos Anjos na Academia Paraibana de Letras. Enxuto querendo saber o que porra é “monera” de que tanto fala Augusto nos seus poemas noiados. Eu, na dúvida se perguntava ao poeta se realmente a árvore da serra era o filho que ele emprenhou numa escrava da fazenda do seu pai. Não querendo entrar nas intimidades do poeta dos Anjos da Morte, indaguei sobre os termos científicos usados em seus trabalhos, se seria uma espécie de propaganda subliminar de remédios ou de cursos da área, já que a publicação do seu primeiro e único livro foi financiada pela Faculdade de Medicina. 

O poeta permaneceu calado na sua mudez de bronze, caso em que fomos obrigados a ler suas respostas no livro “Eu”, soubemos que Augusto vive agora na pátria da homogeneidade, quando pararam todos os relógios. De fato, o relógio do começo do século vinte pendurado no casarão da Academia encontra-se devidamente parado, “abraçado com a própria eternidade.”

Leia meu cordel sobre Augusto dos Anjos, obrigado:


Nascer é custoso


Nasceu um garoto na casa de Arnaud Neto e Louise, o casal da foto. Se esse menino tocar pife como o pai e bater caixa como o avô, vai ser o rei da banda cabaçal. Ravi passa a ser o mascote desse inspirado e estiloso blog. O menino chegou bem de saúde. O valor do frete é que foi um tanto salgado, que hoje, nascer é muito mais caro que morrer. Então, a carestia não está mais pela hora da morte, e sim pelas horas da vida aperreada de pobre. Eles, os da máfia de branco, estão calculando hora de trabalho a preço de tinta de impressora. Já notou como é grandioso o furto que cometem contra quem compra tinta de impressora? Para meu compadre e minha comadre que não sabe, a tinta de uma impressora, por litro, custa duas vezes mais que sangue humano e quase 500 vezes mais que gasolina. É ouro que você espalha no seu papel A4.
Hospital cobra um pouco mais barato. Caro mesmo é a manutenção do neném até virar moleque taludo. Você sabe quanto custa um filho? Sem falar no enxoval, remédios, médicos pediatras, produtos de higiene, grande estoque de fraldas tamanho M, vacinas obrigatórias, creche, escola, roupa, calçado, alimentação, e segue por aí vida afora, até o cara ficar adulto, casar, produzir um filho e bater na tua porta pedindo algum pra completar o orçamento de mais um bebê na família.
Quando eu era menino, me chamavam de mentiroso. Agora, me tratam por escritor, o que dá no mesmo. Um tanto quanto mais respeitoso. Lá em casa nasceram quatro bruguelos. Eu, que adoro futebol, sempre sonhei com esses moleques seguindo a carreira de pebolista, como se dizia antigamente. Nenhum deles prestou para o esporte. Dois abraçaram o mister de músico, incluindo o pai de Ravi, Arnaud Neto. Esse, claro, quer que o filho seja também tocador de algum instrumento e viva o mundo da melodia 24 horas por dia, seguindo o dote do progenitor. Se Ravi não der conta de assoprar um trombone ou ferir as cordas de uma viola, que a santa bola role macia e pare bem em frente das chuteiras dele, leve como pluma (a bola), modernosa, de corte a laser e encaixe cirúrgico, com cores vibrantes. E que o moleque trate essa bola com a mesma paixão e talento, ou quase, que aquele menino de Pau Grosso tratou sua bola de couro grosso, de “capotão”. Lembram dele, um tal de Garrincha? E seja o capitão de time em performance mundial, de Barcelona pra cima. Se não der, que seja ao menos centro-avante reserva do Treze Futebol Clube de Campina Grande.
Ary Barroso escreveu, Jackson do Pandeiro gravou e eu dou a letra de graça pra vocês:
Menino prodígio
La em casa nasceu um menino homem
Já escolhi seu nome, vai ser Jeová
Ta faltando os padrinhos, eu vou convidar
Gente nobre do Catete, presidencial.
Ele tem um nó na goela
É sinal de homem
Não há babá que suporte lidar com ele
Porque o menino é forte, faz dela brinquedo
O garoto é manhoso quando avista a avó
Eu to ensinando a ele a jogar futebol
Creio que ele vai ser um grande artilheiro
Na seleção brasileira, na copa do mundo
Vai ser primeiro sem segundo pra cabecear.
Chutar forte com os dois pés

Correr e driblar.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

TENHO DITO



Se eu disser tudo o que está entalado na minha garganta, como é que vou reter novos impropérios? Portanto, em um ato instintivo de revolta e complacência, eu digo: “vai catar piolho em macaco, depois exploda que eu recolho os cacos”.
Em um ato insólito, vou botar um chapéu de couro na cabeça e comparecer a um ato mais ou menos solene, na Câmara de Vereadores de Itabaiana, neste sábado, para assinar o livro de posse na Academia de Cordel do Vale do Paraíba. Dar os parabéns aos colegas que veem de outras cidades no Rio Grande do Norte, Pernambuco e interior da Paraíba, uns caras sonhadores que acreditaram nessa empreitada lítero-recreativa, porque, se não for utopista não é poeta.
Em um ato meio que idiota, vou cumprir minha pauta de começo de ano e produzir o jornal EVOLUÇÃO, a circular na cidade Itabaiana do Norte, depois de 50 anos. O jornaleco literário e de guerra foi pensado e escrito pelo estudante Chico Veneno. Circulou pela primeira vez em 7 de setembro de 1964, naquele ano e que o Brasil virou um imenso quartel sem lei.
Em um ato sensível, por mais duro que possa parecer, o velho Leão lembra com certo lirismo do seu neto que acaba de nascer, que esses atos são cheios de ternura e delicadeza. Depois, muito tempo depois, é que a porquinha torce o rabinho, mas aí já são outros momentos.
Em um ato fantasioso, imagino um país que não precise presumir que um rapaz é bandido só porque ele usa boné, bermuda, mora nas quebradas, tem andar de marinheiro e veste preto básico na pele.
Em um ato apoiador, concordo em gênero, número e degrau com meu compadre Luciano Marinho, Secretário de Cultura de Itabaiana, que quer proceder ao tombamento do que resta dos prédios históricos da cidade centenária onde nasceu Sivuca.
Em um ato de reconhecimento, agradeço imensamente a Jacy Mendes, Rosival e comadre Cassiana, que estão ainda na luta pela manutenção do Ponto de Cultura Cantiga de Ninar, agora sem água nem energia, mas com a força da boa vontade desse trio. O Ponto morreu? Para os tolos, sim. Mas, mal sabem eles (os babacas) que tudo não passa de uma estratégia nossa que, do alto de nossa sapiência, demos um passo para trás, para podermos dar vários para frente, no futuro. Quem viver, brilhará conosco. Sim, e damos graças ao compadre José Mário Pacheco que nunca se afastou e sempre nos apoia com metade do aluguel do prédio. O Ponto pode até acabar, mas nossa amizade será para sempre.

Em um ato institucional nº 01, o poeta Sander Lee decreta que a próxima reunião ordinária, sem ser banal nem chué, da Academia de Cordel do Vale do Paraíba, será na sub-sede em Ingá, na Fazenda Senzala, sob as ordens do sultão Vavá da Luz. Será proibido cuspir no chão, arroto choco e declamar poesia ruim.