terça-feira, 5 de março de 2013

FATOS PITORESCOS DO FUTEBOL


Capa do livro, confeccionada por Artur Anderson

 

PALHETA (1)

Palheta era garçom e jogador do quadro de aspirantes do Vila Nova de Itabaiana. Aspirante, diferente do que indica a expressão, é o time de baixo, aquele formado por atletas que já passaram da idade ou que apresentam índice técnico inferior. Ou seja, um time cujos componentes não aspiram a nada a não ser brincar na partida que antecede o jogo principal. Essa partida preliminar é chamada de “esfria sol”, porque geralmente é realizada no começo da tarde.

 

PALHETA (2)

O dia do casamento de Palheta coincidiu com a realização do clássico Vila Nova e União. Nervoso, o noivo só pensava “naquilo”. Quando acabou a cerimônia, Palheta deixou a noiva na porta da igreja, pegou sua bicicleta e correu a tempo de vestir o equipamento e participar da preliminar. Depois, voltou para concluir a festa do seu casório.

 

CAMINHOS DA SORTE (1)

O deputado Assis Camelo era presidente do Botafogo da Paraíba. Muito amigo de Valdo do Correio, Assis pediu que fossem escolhidos os melhores atletas do Vila Nova para testes no time da capital. Valdo apresentou o ótimo Liminha, irmão do famosos Lima que fez carreira no Treze de Campina Grande.

 

CAMINHOS DA SORTE (2)

Jogava no Botafogo da Maloca um centro-avante trombador, sem muita técnica, mas malabarista da bola. Cheio de firulas, Capelense se destacava pelo estilo um tanto circense de jogar futebol. Por muito pedir a Valdo, foi levado também para o teste no Botafogo. O técnico Vavá acabou dispensando Liminha e ficando com Capelense no “tricolor do contorno”. Capelense veio a fazer carreira na Europa, jogando pelo Belenense de Portugal.

 

LIMA

Lima era irmão de Liminha. Também saiu dos quadros do Vila Nova. Na época,o médico pediatra Dr. Raiff era diretor do Nacional de Patos. Muito amigo de José Aurélio Tavares da Costa, o Zé Tavares, “dono” do Vila Nova, Dr. Raiff pediu para escolher um bom atleta para fazer testes no time sertanejo. Lima foi o objeto da preferência. Este atleta depois veio a brilhar no Treze e em outros grandes clubes. O fato pitoresco: o passe de Lima foi trocado por um conjunto de camisas para o Vila Nova e uma máquina de costura para a mãe do jogador.

 

TOINHO DE TIBÚRCIO

O sapateiro Toinho de Tibúrcio foi atleta do aspirante do União Sport Clube, mas ficou famoso por ter sido o fornecedor de chuteiras de todos os times de Itabaiana, em épocas passadas. As chuteiras de Toinho de Tibúrcio eram o “top” de linha. Não existiam chuteiras de campo industrializadas, tipo Nike, dessas “afrescalhadas”, como diria Mané Calu, coloridas com no mínimo cinco cores não compatíveis. As chuteiras de antigamente era feitas de couro verdadeiro e solado rústico, fixadas com pregos, mas não abriam o “bico” depois de pouco tempo de uso nos campos carecas do interior.

 

ARACÍLIO ARAÚJO

O forrozeiro Aracílio Araújo era um torcedor fanático do União. Dia de jogo Vila Nova e União, Aracílio não dormia na noite anterior, só pensando na partida. Campo lotado, Aracílio ficou vendo o jogo na lateral, a menos de um metro da cancha. Valdo do Correio foi “tirar” um lateral e, acidentalmente, pisou no pé do torcedor Aracílio, machucando o futuro forrozeiro com a chuteira de Toinho de Tibúrcio, cheia de prego. Aracílio revidou, atirando uma pedra no atleta do Vila Nova. Confusão estabelecida, o juiz expulsou Aracílio. Foi o primeiro torcedor a ser expulso pelo juiz na história do nosso futebol.

 

ERCÍLIO

Neste meu despretensioso trabalho, quero fazer uma homenagem a Ercílio Ribeiro Paz, o primeiro presidente da Liga Itabaianense de Desportos. Farmacêutico, Ercílio foi um dedicado promotor do esporte na minha cidade, nos idos de 1960/70. Grande e excepcional figura que, por problemas pessoais, resolveu ir embora da terra de Sivuca. Não sei se ainda vive nesse mundão de meu Deus.

 

BEIJA-FLOR

Dadá Maravilha, que defendeu mais de 20 times na carreira e foi o artilheiro de três edições de Campeonato Brasileiro (1971, 1972 e 1976) alegava ter uma particularidade ao cabecear: a de “parar” no ar antes do ato do cabeceio. Dizia imitar o Beija-Flor, único passarinho capaz dessa façanha.

 

(Do livro “Fatos pitorescos do futebol”, de Arnaud Costa)

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