terça-feira, 25 de abril de 2017

Thiago Alves sobre o programa "Alô comunidade"

Fábio Mozart entrevista o poeta Marconi Araújo

O Programa de rádio Alô Comunidade, da Rádio Tabajara da Paraíba, apresentado pelo jornalista, escritor, poeta e dramaturgo Fabio Mozart, tem sido um poderoso veículo motivador da cultura popular em várias localidades onde é ouvido. Transmitido por várias outras emissoras, o programa divulga o potencial da cultura do povo, despertando nas pessoas interesse em apoiar o crescimento e conservação de seus valores.

Como grande incentivador da cultura do povo, Mozart tem despertado ideias, realizado sonhos e aberto novos caminhos do conhecimento. Mostrado a vida, obra e costumes de personagens que se destacaram em épocas remotas e atuais, revivendo memórias de figuras que marcaram épocas. 
O Alô Comunidade tem sido um programa impulsionador de tudo isso, através do eloquente âncora Fabio Mozart.


Thiago Alves (Poeta cordelista e artista plástico)

domingo, 23 de abril de 2017

POEMA DO DOMINGO


Tatatá

Nomear o inominável
como quem controla
perpétua oscilação
entre o absurdo
e a bolha do paradoxo.

Com as palavras que restam
editar o silêncio
dar à luz aos gritos mudos
formatar as histórias
de sonhos não acordados
e jamais lembrados.

E tatatá e tatatá
batendo na dactilografia
e rodando no mimeógrafo
que talvez exista ainda
basta escutar a fala constante
de sua geração perdida e agonizante
extremamente velha e viciada
que se perde – me perde
no fim do fôlego, sopro epílogo
de nossa aparvalhada galera
repetindo antigas derrotas.

F. Mozart


quinta-feira, 20 de abril de 2017





Foto de Antonio David é poesia pura.

Nova polêmica na internet: esse jogo Baleia Azul é coxinha ou mortadela?

O mundo voltou a ser um paiol de pólvora governado por um paió de bostas.

Novo escândalo: vai vazar a lista da Oderbicha com os deputados gays.
“Michel Temer foi o maior mau caráter que já conheci”. (Henfil)
Quem semeia propina colhe licitação.
Tirando a gororoba que servem aos passageiros, voar de avião é seguro.
“Não leve o sexo a sério. No fundo, sexo é uma tremenda gozação.” (Millôr Fernandes)
Aos vinte anos, temos pênis. Aos quarenta, temos pomba com bico de gavião. Aos sessenta, resta-nos um símbolo fálico falido.
“Solteirão é o marido da solteirona”- (Sonsinho)
“O Ministro do Superior Tribunal acha que está sentado à mão direita de Deus.” (Millôr Fernandes)
É certo aceitar-se afirmações sem prova concreta de sua veracidade? Sim, na poesia e na fé religiosa.
O homem era vagabundo até Adão comer a maçã. Aí, Deus inventou a CLT.
Evite frustrações, pratique o auto-engano.
Freud explica que você é muitas vezes neurótico e psicopata, passou pela fase oral, anal e fálica e, quando garotinho, gostava de comer merda.
Não se sinta um lixo, apenas um ser humano.
Com certa boa vontade, podemos ser considerados uma “pessoa normal”.
“Temer quer usurpar o lugar de Pinóquio”, disse o deputado Luiz Couto.
“Medíocre, sem carisma, antiquado, sem liderança — e traiçoeiro, acabará de vez com a democracia e com nosso país, levando-o para o abismo", completou Luiz Couto sobre o Michel.
Vereadora Eliza Virgínia torceu o joelho e tirou foto para o Facebook. Ajoelhou e não rezou.
“A vida é uma maratona que todo mundo perde.” (Millôr Fernandes)


Outra de Millôr: “No meio da corrupção, descobriu-se que não há luz no fim do túnel. Na verdade, nem construíram o túnel. Comeram a verba.”


segunda-feira, 17 de abril de 2017

Prefeitura de João Pessoa patrocina livro de poemas de Fábio Mozart

A Prefeitura de João Pessoa, através da Fundação de Cultura (Funjope-FMC), aprovou o projeto de Fábio Mozart na área de literatura para publicação do livro de poemas “Laranja romã”.  O Fundo Municipal de Cultura conta com um aporte de R$ 1,5 milhão para projetos na área de música, dança, cultura popular, literatura, artes visuais, circo e artes integradas e aprovou 70 projetos, cujo resultado foi divulgado nesta segunda-feira, 17.
Mozart desafia a poesia. Duvida de sua existência, mas também a endeusa. Saca sua fluidez, seus ritmos e ritos. Toca sua casca, chupa sua essência, vomita o bagaço. A poesia de Fábio Mozart lembra uma laranja-cravo, cheia de gomos e aromas. Com bagos unidos, mas diferentes. Mas, afinal, o que é mesmo “poesia”, senão a arte de embrulhar palavras e vendê-las no mercado público da sensibilidade humana?”, escreveu o jornalista Dalmo Oliveira no prefácio do livro.
O FMC é disposto pela Lei 9.506/01 e regulamentado pelo decreto 4.469,  aberto a pessoas físicas ou jurídicas, com ou sem fins lucrativos, desde que tenham domicílio em João pessoa e atuem na área cultural. Cada proponente só poderia inscrever apenas um projeto.

domingo, 16 de abril de 2017

POEMA DO DOMINGO


Lugar da máscara

a vida que expõe ao tempo
a verdadeira fragilidade
nas tentativas vãs
fios delimitam
essa vontade
de inventar
o verso que
ainda não há
antes que se finde
nosso prazo de validade

Sandoval Fagundes

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Bendito o que vem em nome da simetria e da sublimidade

Sandoval Fagundes

Aos sessenta anos, um homem sai pelas ruas construindo e distribuindo formas artísticas pelas árvores do seu bairro. Investimento pessoal, “porque a vida não tem fins lucrativos.” Nas árvores mal cuidadas, fios se enroscam em voltas, cintilando sob o sol. São as “próteses artísticas” de Sandoval Fagundes, intervenção que ele chama de “Ar amado”. Sandoval também é poeta e pessoa munida de todos os apetrechos de artista em tempo integral. Os bêbados poetas do seu bairro aplaudem as peças nas árvores, entretanto, difícil fica aceitar que a comunidade venha a vislumbrar a beleza e o simbolismo da arte de Sandoval. Mais duvidoso ainda imaginar que ele venha a ter algum patrocínio, particular ou oficial. Nada disso haverá de diminuir a satisfação de Sandoval com a confecção de suas composições insólitas.

As árvores apresentam uma variante festiva como se fosse Natal.  No proletário bairro Ernesto Geisel, João Pessoa (PB), o fotógrafo e ativista cultural Sandoval Fagundes ergue sua visão de mundo a partir do arame e planta fantasia nos pés de acácia. O sol brilha na sua careca enquanto ele pensa nos ciprestes de um campo repleto de obreiros do sacrossanto mister de trabalhar o sonho e o belo como matéria prima. Glorioso Sandoval! Nesses ásperos tempos de materialismo e desrespeito às criaturas, semeia rosas de arame e reza a um deus improvável pela paz no mundo. Não a paz dos lugares santos dos cristãos, onde os mortos jazem sossegados e alienados. A paz da arte de Sandoval é feito aquele bem estar que sucede a uma trégua no meio da guerra. Na verdade, Sandoval é mais um artífice que vive na corda bamba, mantendo tenso e esticado o fio de arame da vida, equilibrando a longa e profunda ferida da existência com a exultação da tentativa de viver sem ódio e intolerância. Subsistir apenas para plantar subjetivas intenções de subversão de falsos valores.  

Para sobreviver, certa vez Sandoval foi trabalhar em taxi alugado. Rodava a cidade com suas telas e tintas na mala. Quando estacionado, pegava a prancheta e desenhava os pequenos e imponderáveis detalhes da vida urbana. Nada a ver com as prioridades dos profissionais do volante, recolhidos no cotidiano comum. Um sujeito que destoava do conjunto orgânico e metabólico da sociedade consumista, corrupta, alienada e competitiva. Foi regurgitado. Os colegas o expulsaram da praça por não se adequar à máfia dos taxis e seus esquemas de corrupção. Lá se vai Sandoval tentar a vida fazendo biscates, limpando jardins na velha cidade, essa imensa floresta sem árvores. Foi cuidar das flores e dos insetos, dos passarinhos e das rosas de arame aflitivamente carentes de reparo, desvelo e devotamento.

Sandoval é desse tipo de gente que pode ser acordado no meio da noite por uma amiga desesperada, oprimida pela falta de medicamento controlado, deprimida pelo desamor. Um caso em que as paredes do quarto vão se estreitando, ameaçando pulverizar a pessoa vítima de ansiedade. O colega Sandoval sai no seu carrinho Fiat Uno “Deus permita que não quebre” e roda a cidade, batendo nas portas das farmácias e prontidões médicas para salvar a amiga de sua crise nervosa. Um cara tão vocacional, visceral e fisiologicamente humano no que temos de mais gentil, honrado e indulgente que fico pensando: serão os artistas os tais anjos da guarda, meio vagos e reticentes, mas ainda assim capazes de dar sentido à vida? Tem gente assim, que fica boiando acima das coisas e dos homens, à margem dos nossos pequenos conflitos, capaz de fabricar devotadamente pequenas obras de arte, pendurar em árvores e ficar esperando o lento processo de desadormecer e estimular a lógica do belo.


quarta-feira, 12 de abril de 2017

COLUNA DE DAMIÃO RAMOS CAVALCANTI

Cristovam Tadeu no Dia da Criação
          O poeta Vinicius de Moraes, mestre da boemia como Tadeu, diz e rediz, desde 1946, em versos, como se fossem uma jaculatória de ladainha, que tudo que aconteceu ontem foi porque era sábado. Até "(...) Os bares repletos de homens vazios, / Todos os namorados de mãos entrelaçadas, / Todos os maridos funcionando regularmente, / Todas as mulheres atentas"; e continua,  "(...) Há um casamento / Há um divórcio e um violamento / Porque hoje é sábado ".
          "Impossível fugir a essa realidade", morreu Cristovam Tadeu porque era sábado.  Luana, sua jovem filha, estranhou que não tivesse acordado cedo como em todas as manhãs, continuando pesado sono, dormindo e transformando domingo, segunda, terça, quarta, quinta e sexta num só dia; tudo tinha virado sábado, só sábados sem necessidade de contar o tempo, sem denominar os outros dias. Apenas contradisse o poeta: As mulheres, que tanto lhe prestavam atenções, não estavam atentas ao que, na sua cama, ocorria; com certeza, tentariam acordá-lo e não deixá-lo dormindo para amá-lo. Encontrariam pretextos, haveria compromissos na Rádio Tabajara, algum show ou  teatro infantil no Santa Roza. Desatentas, na certeza que ele se acordaria, deixaram que ele descansasse...
          Mas, como profetizava o poema, tinha ele iniciado "um espetáculo de gala" porque era sábado; sem intermezzo, mais longo do que qualquer ópera; dramático, trágico: O protagonista que sempre nos fazia sorrir, deixou-nos chorando. Enfim, diante dos seduzidos e das seduzidas, Cristovam assumia o papel de  "um sedutor que tomba morto (...)/ Há uma tensão inusitada", exatamente após a sexta-feira. No velório, "(...) damas de todas as classes, / Umas difíceis, outras fáceis", entre homens com e sem qualidades, olhando Cristovam partir, sem perspectiva de domingo, no sétimo dia da criação, imitando perfeitamente à imagem e à semelhança do Ressucitado. Morreu porque era sábado, se fosse Domingo de Páscoa, como hoje, teria apenas ressuscitado...

Damião Ramos Cavalcanti