domingo, 26 de março de 2017

POEMA DO DOMINGO


ALDRAVIA

Poemas curtos de seis palavras. O máximo de poesia com o mínimo de vocábulos. Esse jeito de poetizar tem nome: aldravia. Aldravistas são as pessoas que jogam esse jogo poético minimalista. Aldrave é o nome de um batente de porta antigo.

Quem inventou foi um grupo de mineiros de Mariana, cidade histórica. É uma forma brasileiríssima de fazer poesia usando o mínimo de palavras.

Lá vai minha primeira aldravia:

Seis
meia
dúzia
importante
é
somar



quinta-feira, 23 de março de 2017

COLUNA DE DAMIÃO RAMOS CAVALCANTI

A carne é fraca ?

           
Naquele tempo, disse Jesus:  "O espírito é forte, mas a carne é fraca" (Mt 26, 41), falando da "fraqueza" de todos nós, dos policiais, dos juízes, dos nossos políticos, sobretudo dos que costumeiramente corruptos certamente justificam suas corrupções: "Furtei porque a carne é fraca".  A Polícia e alguns Magistrados de Curitiba se referem à carne de boi, de vaca, de porco, et caterva, trazendo também à lente frangos e perus ...  Já os vegetarianos a consideram muito forte, preferindo algumas amenas folhas à carne. Os judeus não comem a suína, mas adoram outras carnes , desde que delas se retire a última gota de sangue, o que significa nem pensar em "galinha ao molho de cabidela",  tampouco no sertanejo chouriço, feito de sangue de porco, especiarias e açúcar. Os  budistas sublimam: Não comem carne porque não abatem seres vivos. E pobre não come carne, mesmo "fraca", porque não tem dinheiro...
          dinheiro provoca essa confusão: Alguns tentando corromper a qualidade e a quantidade da carne, quem  a  compra e quem a revende; e também os que botam a boca no trombone midiático para difamar o Brasil no comércio lá de fora; até os chinos educados por Mao Tsé-Tung  a criarem em casa e comerem codorna. A China, sendo a maior população do mundo, é a maior compradora, assim aproveita dos boatos para  suspender os negócios e renegociar o preço. Mas em abstinência não ficarão... Quando estourou a Usina de Chernobyl, os concorrentes se valeram desse acidente nuclear  para espalhar que fortes ventos atômicos teriam contaminado a carne na França, sobretudo sua especialidade : Carne de vitela ou viande de veau.
          Essa confusão causa vários imbróglios: Uns dizem que tudo teria sido planejado para atenuar a Lava Jato porque  a vez a se delatar é a dos ministros, ministeriáveis e aliados seletivamente dos partidos no poder; também que tal difamação é motivada por interesses de certo país que perdeu a hegemonia da carne para o Brasil; ainda, ocasião em que países suspendem a compra para renegociar o preço; e agravando a economia, o Presidente dá aos embaixadores churrascos corridos, discursando e mordendo picanha para provar que a carne é boa. As notícias televisivas são freiadas e advertidas a baixarem o tom; também a Polícia recua e confessa não ter sido o que se pensou; o prejuízo motivou escrúpulo."Carne fraca", neste país, nunca deixou de existir, ostensivamente, ao lado da sujeira e dos esgotos nos matadouros e mercados públicos; durante concentrações urbanas, nos espetinhos temperados com poeira do asfalto e rica diversidade de bactéria ou à beira das estradas vendendo-se o boi que morreu. Enfim, o objetivo quase foi atingido, nanja totalmente. O preço da carne vai baixar, desde que haja nos açougues a "carne fraca" para os pobres e, a "forte" para os ricos, tal qual exigida pelos compradores estrangeiros. O prejuízo ameaça ser imenso, a trama não compensou...
Damião Ramos Cavalcanti

domingo, 19 de março de 2017

POEMA DO DOMINGO


JANELAS SEM NINGUÉM
.
Retorno, à mesma rua, o meu desejo
de me encontrar comigo e estar contente.
Mas a rua mudou. Bem diferente
é a mesma rua que na noite vejo.
.
Já não há mais espera ao meu andejo,
já não há na janela, à minha frente,
as covinhas do rosto, a inocente
e eterna musa que em meus versos beijo.
.
Algumas rosas, dálias amarelas,
nas janelas abertas. Ninguém nelas.
A rua está mais triste, e eu também.
.
Pobres flores, no outono das janelas!
Nem mesmo as flores continuam belas
quando enfeitam janelas sem ninguém.


(Ronaldo Cunha Lima)

sábado, 18 de março de 2017

Ocultismo e bruxaria são os temas de hoje no "Alô comunidade"


A bruxaria é uma cultura secreta milenar e que pode vir de culturas de povos muito antigos. Talvez, se iniciou de uma cultura não existente na Terra, e que por algum motivo, foi ensinada para alguns habitantes do nosso planeta, e assim, como que passada de pai para filho. É muito difícil conseguir entrar em contato com bruxas e estudiosos sérios do assunto. Por isso o ineditismo da entrevista de hoje no programa “Alô comunidade”, onde estaremos frente a frente com uma das maiores autoridades no tema que vive na Paraíba, a professora Shirlley Alencar, praticante e estudiosa do assunto místico, oculto e esotérico
Hoje, 18 de março, o programa “Alô comunidade” começa às 14 horas pela Rádio Tabajara da Paraíba AM, retransmitido por uma cadeia de rádios comunitárias comandada pela Rádio Zumbi dos Palmares, com produção e apresentação de Fábio Mozart.
Para ouvir em tempo real pela internet:


segunda-feira, 13 de março de 2017

COLUNA DE DAMIÃO RAMOS CAVALCANTI

Ciúme, fatos, coisas e crime

     
       
Por trás da Floriano Peixoto do Alto dos Currais, em Itabaiana, morava Biu do  Cavalo;  o bicho, desde seus tempos de potro, servia ao dono em tudo:  Puxava a carroça de mudanças; carregava caixas de sapato da fábrica de Seu Osório à Estação Ferroviária, vendidas a Timbaúba e Campina Grande; tinha um admirado trote que levava Biu às festas, à Igreja e ao mercado; e em nada dava trabalho, abastava-se do capim em torno da casa, cujo muro, à noite, Biu gostava de pular, a destino, até hoje, ignorado.
       Sua  mulher, por coincidência, Severina, nutrindo doentio ciúme e os fuxicos das "amigas" da vizinhança, dizia que tudo sabia: "Ele não me engana..."  Assim, escolheu uma da sua rua, a quem Biu sempre sorria, para ser sua rival. E, nos fins das tardes, quando via o escolhido pivô do ciúme sentado na calçada, reforçava sua raiva, em voz baixa: "Por que ela?  Sou melhor em tudo". Lembro-me, por outro lado, que os homens, batendo papo no Bar de Adonias, antes do último gole, lambiam os beiços e defendiam-se: "Mulher com muito ciúme não presta, dá nisso"...
        Severina conhecia como ninguém os gostos de Biu. Então lhe preparou seu almoço preferido: Feijão verde; num copo americano, caldo com coentro; farofa d'água com cebola e galinha torrada com muita graxa, alho, cebola, pimentão e cheiro verde. Em cima dessa comida, Biu se derretia de prazer e na mania de comer fazendo com a mão bolinho de feijão, receita de mãe a menino enfastiado, entretendo-o, chamando a comida de "pintinho" ou de "cavalinho". Quando estava Biu levando um desses bolinhos à boca, Severina quebrou-lhe o pescoço com um pino de engatar trem que ela arrumara na Estação do Triângulo, onde se revezavam os trens para fazer baldeação de vagões e mercadorias. Restou-nos forte lembrança de Biu morto, trancando na mão um bolinho de feijão e das vizinhas defendendo Severina: "Coitado de Biu, mas quem aqui apronta aqui paga..."

segunda-feira, 6 de março de 2017

Querubins às vezes se manifestam


A primeira vez que vi Fofinha, não lembro, mas deve ter sido na sua janela que dava para um mundo esquisito, frente a frente às paisagens de uma cidadezinha mesquinha e pacata, cheia de nadas e sem muito charme. Só aquele refinamento leve das coisas simples. Fofinha já decodificava aquele mundinho e desenhava com lápis cera seus encantamentos e desencantamentos saídos de seu especial talento para ver profundo.
Fofinha botou o olho em mim e pensou: “lá vai um rapaz operário e criador.” Na minha bicicleta monareta, eu nem desconfiava, mas um ser de luz andava me espionando com olhos de apetência secreta. Foi quando conheci essa Fofinha. Pela naturalidade com que se deu esse encontro, acho que esse anjinho encarnado já sabia a alguns séculos que era irremissível essa confluência. Eu, meio que chocado porque a Fofinha tímida e pura de espírito mostrava-se audaz e insubmissa aos padrões da sociedade. Depois, soube que os anjos encarnados são livres, independentes, não suportam se sentirem presos, tolhidos em suas ações. Seu espírito, sua essência é livre, desapegada.
Foi assim, desprendida e generosa, que Fofinha incorporou seu viver ao meu. Mesmo amadurecido, ainda não me sintonizei totalmente com seu modo sensível de viver. Meus guias já me falaram que sou um cabra teimoso, insistente e cabeçudo. Perseverei correndo atrás desse poder e majestade atrás da lágrima, do sorriso, do aceno e da emoção desse querubim. Isso já se vai mais de meio século. De vez em quando consigo perceber o que há além da banalidade da vida, por vias da suscetibilidade dessa figura.
E nessa multiplicidade de olhares que ameniza a materialidade do meu ser ateísta, ela é meu mentor espiritual. Li que os anjos são realmente almas evoluídas, mas encarnados nesta vida terrena. Um tal Dr. Osvaldo Shimoda garante: “os sensitivos são pessoas normais, com seus conflitos, anseios e problemas como qualquer encarnado, sujeitos também às vibrações de dor, medo e ira, próprios do planeta Terra. Sentem muito a dor alheia e, por isso, sensibilizam-se com os problemas, dramas sociais, talvez muito mais do que a maioria das pessoas.” São anjos encarnados e muitos não conseguem lidar com os problemas terrenos.
Caríssimos irmãos, essas criaturas especiais existem. Sei por meio das melhores fontes, de tanto ver aflorar a sensibilidade extranatural da Fofinha. Acho até que ela veio ao mundo com o alto propósito de me salvar dos abismos. Pode ser presunção de minha parte. Mas gosto de acreditar nisso. 

domingo, 5 de março de 2017

POEMA DO DOMINGO


Escrito no muro:
nostalgia é inestético
passado não tem futuro

O passado olha o presente
e se encanta com a vida
fracassando lindamente

Vivendo na plenitude
o coração descompassou
com mais saúde

Articulado oculista
sabe que tudo é questão
de ponto de vista

Seria quase um rei
se todos me perguntassem
as respostas que sei

Viveu sem ostentação
e morreu sem orgulho
na contramão

Simplória subversão
de subnutridos
em sub-nação

Solidão repleta
perder pênalti no clássico
para o atleta

Só iniciados
entendem os mistérios
dos terminados

Abençoado e pleno
o câncer reina feliz
no duodeno 

F. Mozart